quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Arte Moderna

Tarsila do Amaral (1886-1973)
A pintora Tarsila do Amaral pode ser considerada como um ícone da arte brasileira, a qual criou obras de expressão inigualável para a arte moderna no Brasil, a partir de 1917. Teve uma formação acadêmica muito sólida, em São Paulo e em Paris, não se prendendo ao esteticismo e formalidades, sua formação acadêmica reforçou a singularidade de suas obras e a da cultura popular brasileira.

Tarsila do Amaral foi uma artista muito consciente da sua importância no movimento modernista, da inserção da sua obra no panorama brasileiro das artes plásticas, ela integrava a vanguarda intelectual e artística da época. A artista foi peça chave do movimento modernista.

O “grupo dos cinco”, formado por intelectuais e artistas fundadores do movimento, como a pintora Anita Malfatti, amiga que conheceu em 1918 no ateliê de Pedro Alexandrino, seu professor de desenho e pintura, escritor Oswald de Andrade, namorado da pintora na época e os escritores Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Estes artistas agitaram culturalmente São Paulo com reuniões, festas, exposições e conferências.

Em 1922, Tarsila participou da Semana de Arte Moderna, onde este evento, foi o marco mais caracterizador da presença, entre nós, de uma nova concepção do fazer e compreender a obra de arte.

Em 1923, Tarsila mostrou a tela “A Negra” ao mestre cubista Fernand Léger, que ficou entusiasmado e mostrou a obra para todos os seus alunos, dizendo se tratar de um trabalho excepcional. 
A figura da Negra tinha muita ligação com sua infância, pois essas negras eram geralmente filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a história da arte moderna brasileira.
Na obra apresentada hoje é possível identificar elementos  de influência cubistas ao fundo da tela. Além disso, A Negra é considerada uma obra antecessora da Antropofagia na pintura de Tarsila.


Negra
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1923 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 100cm x 81,3 cm
Movimento: Modernismo



Em um jantar em homenagem ao pai da aviação, Santos Dumont, Tarsila vestiu um casaco vermelho e chamou a atenção de todos por sua beleza e elegância. Pintou o autorretrato ‘Manteau Rouge’ em 1923 depois desta ocasião.

Manteau Rouge
Autor: Tarsila do Amaral
auto- retrato
Ano: 1923 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 73 cm x 60 cm
Movimento: Modernismo


A abordagem geométrica da iconografia brasileira durante suas viagens pelo país, vai originar a pintura "Pau Brasil",Tarsila muda seu estilo de pintura onde incorpora temas tropicais e cores brasileiras.








Capa da 1ª Edição do livro de poesias, de Oswaldo de Andrade, ilustrado por Tarsila do Amaral.









Em 1928, pintou o Abaporu (aba = homem; poru = que come)para presentear o então marido Oswald de Andrade, tela batizada por ele e pelo poeta Raul Bopp, tela que inspiraria o movimento antropofágico, servindo como um alerta para a valorização das raízes nacionais e  vinculado ao modernismo. Neste período, a geometria é abrandada, as formas crescem, tornam-se orgânicas e adquirem características  próprias. Telas como: "O Ovo, O Sono e A lua", compostas de figuras selvagens e misteriosas, aproximam-na do surrealismo. 
Abaporu
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1928 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 85 cm x 73 cm
Movimento: Modernismo







Antropofagia
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1929 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 1,26 cm x 1,42cm
Movimento: Modernismo






O Ovo
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1928 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 60 cm x 72cm
Movimento: Modernismo



O Sono
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1928 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 1,26 cm x 1,42cm
Movimento: Modernismo






 A Lua
Autor: Tarsila do Amaral
Ano: 1928 
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 1,10 cm x 1,10cm
Movimento: Modernismo

  
Em 1950, Sergio Milliet organizou retrospectiva da artista no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Tarsila participou também da I Bienal, em 1951. Em 1964, participou da Bienal de Veneza e em 1969 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugurou uma grande exposição de sua obra: 50 Anos de Pintura. 
Consolidando sua importância para a arte brasileira.


REFERÊNCIAS:

Disponível em: <http://tarsiladoamaral.com.br/biografia-resumida/> Acesso em 18/02/2016
Disponível em:<http://adrianavivarte.blogspot.com.br/2012/07/tarsila-do-amaral.html> Acesso em 18/02/2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Modernismo no Brasil.

Anita Malfatti





Anita Malfatti (1889-1964)

Foi uma importante artista plástica (pintora e desenhista) brasileira, causou polêmica na década de 1917 quando realizou uma exposição em São Paulo, onde suas obras retratavam os personagens marginalizados dos centros urbanos, e por ser inovadora e revolucionária, causou a desaprovação nas classes conservadoras da época.

Após crítica de Monteiro Lobato, publicada em O Estado de S.Paulo com o título de “A propósito da exposição Malfatti”, em 20 de dezembro de 1917, onde o escritor ataca a arte moderna, rebaixando seu valor, ele demonstra profundo desgosto pela nova estética que os modernistas propunham, sem deixar de reconhecer as qualidades da artista, porém suas telas foram devolvidas, algumas quase foram destruídas, fazendo com que Anita se retraísse, perdendo seu estilo por um tempo e voltando a pintar natureza morta.
Observe abaixo alguns trechos do texto publicado:






"A propósito da exposição Malfatti"
Monteiro Lobato (Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917):

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêm as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres.”

“Embora se deem como novos, como precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu como a paranoia e a mistificação.”

“De há muito que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando ­se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios.”

“Julgamo-­la, porém, merecedora da alta homenagem que é ser tomada a sério e receber a respeito de sua arte uma opinião sinceríssima – e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião geral do público não idiota, dos críticos não cretinos, dos amadores normais, dos seus colegas de cabeça não virada – e até dos seus apologistas.”

Dos seus apologistas, sim, dona Malfatti, porque eles pensam deste modo... por trás.”


Pode- se dizer que Lobato se precipitou ao criticar a exposição modernista, pois nem se deu o trabalho de ir ao evento, além de ter sido considerado mais tarde como modernista em sua produção literária, impondo uma linguagem coloquial, afetiva  espontânea, impondo uma nova ideologia e tendo uma visão crítica do Brasil, embora ele criticasse os modernistas, ele tentava impor seus modelos estéticos inspirados nas vanguardas europeias, nem ele próprio percebeu que havia sido moderno em romper com os padrões impostos em sua época.




Semana de Arte Moderna

Cinco anos após as duras críticas de Monteiro Lobato, em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna, Anitta e seus amigos Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, formavam o Grupo dos Cinco.





A elite cafeicultora paulista alugou o Teatro Municipal de São Paulo, para receber um novo tipo de arte, fortemente influenciada pelas vanguardas europeias e que refletia o progresso e a industrialização que a cidade vivia na época. A Semana de Arte Moderna foi um evento que inaugurou um novo movimento cultural no Brasil: o Mordenismo.

 Música, dança artes plásticas e poesia faziam parte da programação.A exposição durou apenas três dias.



Algumas obras da artista que foram expostas:



O Farol.(1915) óleo sobre tela( 46,5 x 61)




O homem de sete cores. (1915-1916) carvão e pastel sobre papel(60,7x45)





A boba(1915-1916)óleo sobre tela (61 x 50,5)




Uma estudante(1915-1916)óleo sobre tela(76,5 x 60,5)





A estudante russa. 1915. óleo sobre tela (76 x 61 )





O homem amarelo (1915-1916) óleo sobre tela (61 x 51)




A mulher de cabelos verdes (1915-1916)óleo sobre tela (61 x 51)


Referências:

Paranóia ou mistificação? Disponível em: <HTTP://www.artelivre.net/html/literatura/al literatura paranoia ou mistificação.htm>Acesso em 14/02/2016.


KATINSKY,Julio Roberto. Anita Malfatti de Marta Rosseti Batista. Revista do IEB.Edição n.45, setembro de 2007.

Imagens Disponível em: https://obrasanitamalfatti.wordpress.com/tag/anita-malfatti/> Acesso em 17/02/2016