quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


Sou apenas um objeto.


A relação do homem e tudo o que tem criado como objeto, com a intenção de suprir nossas necessidades desde os primórdios da humanidade, se tornou essencial para nossa existência, se caso houvesse uma discussão, ou revolução dos objetos como no texto “Animação Cultural “ de Vilém Flusser, certamente os humanos se renderiam às negociações. A contemporaneidade tem nos feitos rever a forma de perceber o objeto como ser inanimado, hoje o celular tornou-se uma extensão do corpo humano, considero as vezes um terceiro braço em que também nos força a ter um terceiro olho ou uma segunda mente, onde, no momento em que dirijo um carro posso escrever, ver ou compartilhar mensagens, mesmo sabendo os perigos que cercam essa escolha. Desempenhar funções básicas e diárias tornaram-se impensáveis de viver um dia sem fazer o uso dos eletrônicos. O texto nos faz refletir o quanto pensamos em ser soberanos em relação aos demais, uma reflexão que fere nosso ego e nos faz repensar que precisamos nos submeter as necessidades que nós mesmos nos impomos a tê-las.

Pude perceber essa suposta sensação de superioridade na pele, num momento em minha casa enquanto costurava uma roupa na máquina de costura, minha sobrinha de nove anos me perguntou se eu não tinha medo de me machucar com a agulha, e eu rapidamente respondi que não, porque eu tinha o controle sobre a máquina e sabia como conduzir a costura, mas logo em seguida distraída, acabei furando o dedo. Provando que nem sempre a certeza do controle sobre os objetos nos acompanha.