quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


Sou apenas um objeto.


A relação do homem e tudo o que tem criado como objeto, com a intenção de suprir nossas necessidades desde os primórdios da humanidade, se tornou essencial para nossa existência, se caso houvesse uma discussão, ou revolução dos objetos como no texto “Animação Cultural “ de Vilém Flusser, certamente os humanos se renderiam às negociações. A contemporaneidade tem nos feitos rever a forma de perceber o objeto como ser inanimado, hoje o celular tornou-se uma extensão do corpo humano, considero as vezes um terceiro braço em que também nos força a ter um terceiro olho ou uma segunda mente, onde, no momento em que dirijo um carro posso escrever, ver ou compartilhar mensagens, mesmo sabendo os perigos que cercam essa escolha. Desempenhar funções básicas e diárias tornaram-se impensáveis de viver um dia sem fazer o uso dos eletrônicos. O texto nos faz refletir o quanto pensamos em ser soberanos em relação aos demais, uma reflexão que fere nosso ego e nos faz repensar que precisamos nos submeter as necessidades que nós mesmos nos impomos a tê-las.

Pude perceber essa suposta sensação de superioridade na pele, num momento em minha casa enquanto costurava uma roupa na máquina de costura, minha sobrinha de nove anos me perguntou se eu não tinha medo de me machucar com a agulha, e eu rapidamente respondi que não, porque eu tinha o controle sobre a máquina e sabia como conduzir a costura, mas logo em seguida distraída, acabei furando o dedo. Provando que nem sempre a certeza do controle sobre os objetos nos acompanha. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

OFICINA DE PINTURA EM AZULEJO.

Olá pessoal! 

Hoje contarei como foi minha primeira experiência, como ministrante na Oficina de Pintura em Azulejo na Escola de Ensino Fundamental e Médio- CAIC em Marabá-PA, buscando relatar os pontos fracos e fortes desse ensaio da minha futura profissão, que será Professora de Artes Visuais, mas antes vou fazer um breve resumo sobre como aprendi a pintar azulejos.
Espero que gostem do texto!

Aprendi acerca de um ano a pintar azulejos, depois de um interesse da parte de meu pai, que havia me perguntado se eu sabia tal técnica, pois ele gostaria de ter uma dessas pinturas em sua casa, aguçando assim minha curiosidade sobre tal pintura, então busquei aprender,  assistindo vídeos pela internet através da ferramenta Google pesquisa, notei que geralmente seus temas eram pinturas de natureza, paisagens de pôr-do-sol, e noites, onde com um pouco de habilidade e prática, consegui  bons resultados nas minhas primeiras pinturas, desde então venho fazendo essa arte, não muito valorizada pelas instituições, mas que gera renda facilmente à artistas de rua.

Abaixo, fotos das minhas primeiras pinturas:




Meu pai, Paulo Reginaldo mora em Mosqueiro-PA e não podia ficar sem sua pintura.

Voltando ao assunto da Oficina...
...nos dias 12, 13 e 14 de abril desse ano, como apresentação de trabalho final das disciplinas de Didática, Teoria e Crítica de Arte e Arte Brasileira III, eu e minha colega Hellen Moreira do curso de Artes Visuais da UNIFESSPA, elaboramos uma Oficina de Pintura em Azulejos, onde tive a experiência de repassar o que aprendi através de  uma oficina planejada, para os alunos do ensino fundamental da Escola CAIC. 

Abaixo a demonstração do Roteiro:

ROTEIRO DO PROJETO OFICINA
HELLEN MOREIRA E PAULA CORRÊA

1 – Identificação: Projeto: Oficina de Pintura em Azulejo

Título da Oficina: Pintura em Azulejos
Ministrantes: Hellen Moreira e Paula Corrêa
Local: Escola de Ensino Fundamental e Médio “Rio Tocantins” - CAIC
Endereço: Folha 13, quadra especial, Lote especial – Nova Marabá
Carga Horária: 10 Hs
Período : de 12 a 14 de abril de 2016

2 – Ementa:
Aprofundamento do vocabulário e o conhecimento dos elementos constitutivos das  artes visuais; Contextualização dos aspectos históricos do Azulejo, das produções artísticas da  artista brasileira contemporânea Adriana Varejão e dos artistas que trabalham nas ruas do país com esse tipo de pintura, organização do local de trabalho, ensinando-os como utilizarem os materiais com responsabilidade; planejamento das criações de trabalhos através da pintura em azulejo,debate de opiniões e apresentação sobre sua criação.

3 – Conteúdo
·                    Contexto histórico dos Azulejos
·                    Apresentação visual do trabalho de artistas de rua.
·                    Contextualização da Arte moderna, e apresentação da artista Adriana Varejão.
·                    Materiais e técnica pintura e utilização dos instrumentos
·                    Produção de desenhos a partir das técnicas apresentadas

4 – Objetivo geral:
·                    Capacitar alunos com a técnica manual de pintura a óleo, por meio da disciplina de arte nas escolas de rede públicas.
4.1 – Objeto específico:
·                    Contextualizar a importância do trabalho de artista de ruas;
·                    Ensinar as técnicas de pintura em azulejo
·                    Estimular a criatividade dos alunos
·                    Realizar uma exposição na escola com os trabalhos produzidos pelos alunos

5 – Justificativa:
            Há muitos anos artistas visuais chamados “artistas de rua” sobrevivem através da pintura de azulejos, pinturas vendidas em feiras, parques, praças e na rua, geralmente nas grandes capitais, as pinturas são feitas de maneira simples e rápidas facilitando a venda, que ao final revelam belas paisagens, estes artistas são pouco conhecidos, tendo sua arte vista apenas como arte decorativa, sem reconhecimento e valorização. Neste projeto pretende-se capacitar e incentivar a produção da pintura em azulejo nas escolas da rede municipal, buscando a aproximação e valorização deste tipo de arte.

6 – Metodologia:
·                    Visitar e analisar o local e infra-estrutura onde será ministrada a oficina.
·                    Contato e diálogo com o professor de arte e corpo pedagógico da escola
·                    Fazer apresentação do projeto para a comunidade escolar
·                    Contextualizar através de dialogo e discussão a pintura em azulejo
·                    Produzir paisagens através da pintura a dedo
·                    Exposição de obras produzidas por alunos.

7- Recursos:
·                    Datashow
·                    Computador
·                    Voz
·                    Quadro branco
·                    Pincel para quadro branco

8- Avaliação:
Serão usadas duas formas de avaliação:
·                    Participação


·                    Frequência 


Seguindo este roteiro:

 No primeiro dia 12/04/2016 começamos a aula com duração de 1 hora e 45 minutos,utilizando como recurso Slides, sobre o contexto histórico dos azulejos, e no mesmo slide, uma breve apresentação da biografia e obras da artista plástica brasileira Adriana Varejão, artista contemporânea reconhecida nacionalmente e internacionalmente por seus trabalhos que refletem o colonialismo europeu no Brasil, por usar o azulejo como a própria obra de arte e também por abordar outros temas como sensualidade e violência em suas obras. Mostra de vídeos sobre Museu Inhotim, onde os alunos a conheceram onde as obras da artista estão expostas.
Fonte: <http://obviousmag.org/pintores-brasileiros/adriana_varejao/>

Tivemos como ponto fraco nestes slides da artista Varejão, foi que suas obras não agradaram visualmente as crianças que tinha entre 10 à 14 anos, acredito que pelas mesmas, não terem maturidade para entender seu significado, principalmente por conterem imagens fortes de sangue, resultado de uma obra expressivamente viva da artista, como a obra:

 Linda do rosário

Detalhe da obra de Adriana Varejão, “Linda do Rosário”, 2004 (Óleo sobre alumínio e poliuretano).
Fonte:<http://inhotim.org.br/inhotim/arte-contemporanea/obras/linda-do-rosario/


Nesse mesmo dia após o intervalo, os alunos já estavam eufóricos para começar a prática, já não queriam mais estudar a teoria, porém foi explicado à eles, que esse primeiro seria para conhecerem melhor o contexto histórico, os artistas e como seria feita s pintura, então se prosseguiu a oficina com alguns vídeos sobre artista de rua, alguns desconhecidos e outros conhecidos como o artista Renato Dart, que ensina e divulga seus trabalhos no Youtube. Um dos pontos fortes dessa apresentação foi o deslumbramento dos alunos pelas obras deste artista.
Fonte: <https://renatodarte.com/>


Após os vídeos, fizemos uma atividade de desenho com papel A4 e lápis 2b, onde os alunos puderam pensar e desenhar as imagens que tinham visto, um exercício para treinar que imagens fariam em seus experimentos a partir do que tinham visto e que cor iriam usar, para assim evitar desperdícios.


No segundo dia, eu  e Hellen iniciamos a aula com algumas imagens de pintura em azulejo tiradas da internet, para demonstrar aos alunos o que faríamos no decorrer do dia, e também para servir de inspiração nos desenhos dos alunos, os mesmos ficaram bem impressionados com as imagens que eram produzidas através desse tipo de pintura, apresentei ao alunos os materiais necessários para a pintura e então eu fiz algumas demonstrações de pintura, para que iniciassem seus experimentos.







Logo nos primeiros experimentos dos alunos obtivemos resultados muito bons:


No terceiro dia tivemos 1 hora e 45 minutos de aula somente para a produção de pinturas em azulejo. Após o intervalo tivemos uma conversa descontraída com a turma para sabermos suas opiniões a respeito sua experiência com a pintura em azulejo, logo depois, limpamos e guardamos os materiais que sobraram, ensinando assim os alunos a questão de organização do material e , limpamos a sala, por fim realizamos uma Mini exposição dos trabalhos produzidos.



A ministrante Hellen mostrou aos alunos novas possibilidades de pintar imagens nos azulejos, não apenas paisagens como o de costume, outro ponto forte dessa experiência.



Turma com a ministrante Paula Corrêa


Turma com a ministrante Hellen Moreira





Mini exposição das pinturas no refeitório da Escola CAIC.




Resultado das Pinturas em Azulejo feitos por Alunos da Escola CAIC em Marabá-PA.




Guardarei essa experiência, como motivação, para rever os erros e acertos cometidos, e como aprendizado para futuras oficinas. Principalmente como um incentivo à profissão que escolhi,Professora de Artes Visuais.








Referências:


  • https://omalentendidodocorpo.wordpress.com/tag/adriana-varejao/
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Azulejo
  • https://www.youtube.com/watch?v=HuA0MN9MxKc
  • https://www.youtube.com/watch?v=WhDuShlXnWw
  • https://www.youtube.com/watch?v=Gw9_BF8QlwI
  • https://www.youtube.com/watch?v=5RbUuxIQnG8
  • https://renatodarte.com/
  • https://www.youtube.com/watch?v=Td0fHM_EVAM
  • https://www.youtube.com/watch?v=AUr720_5XLw

  • https://www.youtube.com/watch?v=8c-5bXV7u8g

domingo, 6 de março de 2016

Exercício sensorial.


Para que se possa entender o assunto a seguir, que serviu como influencia no exercício proposto, no dia 24 de fevereiro na disciplina de Teoria e Crítica da Arte, será preciso fazer um breve resumo sobre a artista plástica Lygia Clark: 


 Lygia Clark

Foi uma pintora e escultora brasileira contemporânea que se auto intitulava "não artista".
É uma das fundadoras do Grupo Neoconcreto e participou da sua primeira exposição em 1959, trocando sua pintura gradualmente por objetos tridimensionais, com a série Bichos de 1960, construções metálicas que se articula por meio de dobradiças e requerem a co-participação do espectador.




 Dedicou-se a exploração sensorial em trabalhos como A Casa É o Corpo, que foi instalada no MAM - RJ e posteriormente na Bienal de Veneza, a obra tem 8 metros de comprimento, simulando um imenso útero a ser penetrado pelo visitante, reproduz sensações de um parto, o expectador tem sensações táteis ao passar por compartimentos denominados penetração, ovulação, germinação e expulsão do ser vivo.  



Entre 1970 e 1976, sua atividade se afasta da produção de objetos estéticos e volta-se sobre tudo para experiencias corporais em que materiais quaisquer estabelecem relações entre os participantes, em 1976 Lygia se dedicou ao estudo das possibilidades terapêuticas da arte sensorial e dos objetos relacionais, Como Baba Antropofágica e Objeto Relacional. À partir de 1980 sua obra ganha reconhecimento internacional, com retrospectivas em várias capitais, e em mostras antológicas da arte internacional do pós- guerra


Lygia Clark - BABA ANTROPOFÁGICA, 1973






Lygia Clark- OBJETO RELACIONAL, 1980




Exercício prático

A partir de um vídeo exibido em sala de aula, falando sobre a artista Lygia Clark, participei de um exercício sensorial, onde meu professor, propôs uma dinâmica com duração de 20 minutos, onde os alunos permaneceram de olhos vedados, e puderam sentir o espaço através do tato. Tive o auxílio de um guia, apenas para evitar possíveis tombos, sendo que a câmera fotográfica do meu celular, serviu para registrar as coisas que meus olhos não podiam ver.
Enquanto estava sem o sentido da visão, procurei me guiar por sons e ruídos, buscando tirar boas fotos mesmo sem poder ver, sentindo texturas e imaginando o que poderia ser.
Tive várias sensações diferentes, senti desequilíbrio, tontura, me sentindo totalmente desorientada, pude sentir a sombra e o calor do sol, escutei os pássaros, pessoas conversando, passos e ruídos de máquinas trabalhando.
Senti principalmente a preocupação de não poder enxergar, enquanto percorria o espaço, imaginava a dificuldade enfrentada por pessoas que perderam ou nasceram sem a visão. Quando o exercício terminou, tive um grande alívio de poder enxergar novamente.
Irei mostrar aqui, as fotos de quando estava de olhos vedados, e logo depois um desdobramento dessas fotografias, buscando uma melhor composição da imagem.

Fotos às escuras:












Fotos às Claras:












Fotos: Paula Corrêa



Referências:
http://brmenosmais.blogspot.com.br/2010_08_01_archive.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Clark
https://www.escritoriodearte.com/artista/lygia-clark/